23rd Aug, 2007

Trombose Venosa – Fisiopatologia e definições

Trombose venosa = formação de um trombo no lúmen das veias, como consequência de uma alteração do equilíbrio normal dos mecanismos da hemostase.
 
Fisiopatologia

 A normal fluidez do sangue venoso é consequência de uma complexa interacção de factores de coagulação e de fibrinólise, os quais são, por sua vez, controlados por factores activadores e inibidores. Alterações deste sistema complexo poderão levar a situações de hemorragia ou trombose.

Quando existe um desvio da coagulação ou um défice da fibrinólise, o sangue coagula preferencialmente nos membros inferiores, em particular, nas zonas de maior estase sanguínea, ou seja, nos seios venosos do solhar (85%) e, numa menor percentagem (15%), na veia femoral.
 Como factores etiopatogénicos da trombose venosa, continuam a ser considerados os clássicos da tríade de Virchow, descrita em 1895, a saber:

• Estase venosa
• Alteração de factores da coagulação no sentido da hipercoagulação
• Lesão do endotélio venoso

Definições

Seguem-se outros conceitos que se confundem com a trombose venosa mas que são distintos.

Trombo-embolismo venoso = êmbolos que, indo através da corrente sanguínea, se vão alojar nas artérias pulmonares, provocando uma embolia pulmonar.

Tromboflebite  (Trombose Venosa Superficial) = trombose venosa em que é dominante clinicamente a reacção venosa parietal ao trombo no seu interior; fenómeno inflamatório que se observa à superfície, causado por infecções exteriores, iatrogénicas. A circulação é lenta.

Flebotrombose (Trombose venosa profunda) = trombose venosa na fase inicial, com trombo pouco aderente à parede da veia e, por isso, em regra, silencioso, mas com grande risco de se destacar e embolizar. Este facto explica as situações de embolia pulmonar sem sinais ou sintomas de trombose venosa. Neste caso, há rubor e dor aderente à parede da veia. Há obstáculo à circulação, pelo que o sangue não ascende e há formação de edema. A dor e o edema originam impotência funcional, a estase condiciona o aparecimento de cianose. Como o sangue não circula na profundidade, reflui para a rede venosa superficial, dilatando-a. Há edema dos músculos gémeos, que condiciona o aparecimento do sinal de Homans, em que a dorsiflexão do pé causa dor.

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