21st Sep, 2007

Síndromes peritoníticos – Exame Objectivo

Quando se está perante um doente sob a suspeita de uma peritonite, deve ter-se em conta o seu estadio; os sintomas e sinais que o doente apresenta dependem desse estadio. É importante saber qual a causa da peritonite e qual a sua extensão.

Ao exame objectivo, num sentido crescente, deparamo-nos com:
- Dor à palpação profunda
- Reacção peritoneal (abdómen, recto e vagina)
- Afecção da contractilidade muscular com hipertonia muscular
- Hipertrofia muscular
- Ventre em tábua
- Hiperestesia cutânea, nas fases mais avançadas
- Edema da pele
- Silêncio abdominal à auscultação

A febre, obstipação e distensão local com paragem de gases e fezes são sinais acompanhantes.

Para examinar a distensão, deve colocar-se o paciente com a cabeça no mesmo plano do corpo ou sobre uma almofada baixa, os braços estendidos ao longo do corpo e os joelhos ligeiramente flectidos. A palpação inicia-se nas áreas menos dolorosas.
A distensão de todo o abdómen pode ser devida à paragem do conteúdo abdominal por oclusão intestinal ou porque há infecção, devido a conspurcação peritoneal. Qualquer conspurcação peritoneal provoca dor, que inicialmente é expontânea, mas que depois pode ser uma dor provocada pelo médico.
Sempre que existe excitação do peritoneu em relação com a área que está inflamada há dor; o médico ou o cirurgião, sabendo isto e suspeitando de peritonite, desencadeia uma série de manobras que visam evidenciar as suas suspeitas. A manobra de compressão/descompressão no ponto de McBurney e a manobra de Murphy vesicular são exemplos para a peritonite causada por apendicite e colecistite, respectivamente.

Início e irradiação da dor

É importante tentar saber onde é que a dor teve início até porque, na maior parte das vezes, quando os doentes chegam às nossas mãos estão com uma dor de tal modo intensa que pensam ser irrelevante onde e como começou.
Numa peritonite aguda a dor é constante; por vezes, o início está ligado a aspectos característicos da própria doença e, normalmente, tem uma localização e irradiação características, consoante a sua etiologia. É portanto importante seguir, com métodos muito rigorosos, o que se passa com estes doentes e objectivar as queixas.

A ecografia é um exame que se faz com muita facilidade, que se repete facilmente, sendo possível avaliar, de um modo matemático muito rigoroso, o grau de afecção das várias estruturas (grau do edema da parede, espessura da parede,…).
No entanto, em relação à peritonite, os elementos clínicos têm muito mais importância do que os elementos dos exames auxiliares de diagnóstico. Tomam-se decisões com base no quadro clínico e habitualmente pede-se apenas um hemograma.

Comments are closed.

Categories