Componentes da secreção gástrica
1. Ácido clorídrico, elemento mais típico;
2. Pepsinogénio, enzima protease que vai degradar as proteínas;
3. Muco, importância crucial e essencial na fisiologia do estômago;
4. Bicarbonato;
5. Factor intrínseco, responsável pela absorção da vitamina B12
6. Gastrina
7. Somatostatina
Existem 3 zonas distintas, com secreções distintas:
- Zona cárdica, fundamentalmente segrega muco, porque é uma zona de protecção da porção terminal do esófago;
- Zona fúndica ou corpo, segrega fundamentalmente substâncias como o o ácido clorídrico e o pepsinogénio (região oxíntica);
- Zona pilórica, segrega sobretudo muco, para proteger o duodeno.
Funções do HCl
1. Diminuição da flora bacteriana. O estômago é o local onde há menor proliferação de agentes bacterianos. Trata-se de um órgão asséptico que evita o crescimento de qualquer tipo de microrganismos.
O ácido é, assim, muito importante porque, doenças que dão acloridria, ou seja, ausência de HCl, favorecem a proliferação bacteriana.
2. Digestão. O HCl tem um efeito directo nos alimentos, ou seja, os alimentos só são digeridos e absorvidos se estiverem reduzidos/fragmentados. Essa fragmentação ocorre, inicialmente, na boca (por acção dos dentes) e, posteriormente, no estômago (por acção do ácido que corrói principalmente as proteínas e faz com que o bolo alimentar fique cada vez mais pequeno).
3. Activação do pepsinogénio. O pepsinogénio encontra-se sob uma forma inactiva, no estômago, e a sua activação ocorre por acção do ácido. O ácido promove a transformação do pepsinogénio em pepsina, mas ambos só funcionam se existir um meio ácido apropriado. O ácido vai alterar o pH para o funcionamento adequado do pepsinogénio.
O elemento-chave na secreção ácida é uma bomba de protões que promove o transporte de H+ para o lúmen do estômago; é uma H+/K+ ATPase, que consegue transportar os iões de H+ contra o gradiente de concentração (por vezes 1 para 1 milhão). O H+ é sobretudo o produto do metabolismo das células.
Dá-se passagem do H+ para o lúmen e o HCO3- sai para fora. As trocas dentro da célula permitem a entrada de K+ e a saída de Na+.
Este mecanismo é muito importante pelo seguinte: quando começam a sair muitos protões, a célula começa a ficar com um ambiente alcalino que, por si só, poderá ser o suficiente para parar a secreção. O mecanismo tem então que estar +/- regulado para que haja saída das valências alcalinas de dentro para fora da célula. O ponto crucial é a bomba de protões.
Situações em que há bloqueio do mecanismo da bomba de protões, existem medicamentos que activam essa bomba prevenindo assim situações de úlceras gástricas.
Existem ainda secreções vagais. Em jejum, o nosso estômago continua a segregar ácido, embora essa secreção não seja superior a 10%. Essa secreção não é constante e atinge o seu pico máximo cerca das 24 horas (à noite) e um mínimo cerca das 7/8 horas da manhã. Apesar de antigamente se pensar que esses níveis tinham a ver com as alterações circadiárias da gastrinémia, tal facto não é claro. Estes níveis têm a ver com variações no sistema nervoso simpático, embora não se saiba, realmente, como actua.