19th Sep, 2007

Perda de visão

Quando nos deparamos com um paciente que nos diz ter perdido a visão, há que saber procurar caracterizar essa perda de visão: saber se foi passageira ou persistente (central ou periférica), se atingiu os dois olhos ou apenas um (com início abrupto ou lento), há quanto tempo aconteceu, qual a idade do paciente e qual a sua situação clínica, tentando saber se o paciente tem doença cardiovascular ou se faz terapêutica anti-coagulante.

Os meios de que dispomos em Oftalmologia permitem-nos examinar o sistema ocular de modo a complementar a informação obtida na história clínica. Assim, podemos recorrer:

• aos testes de acuidade visual;
• aos testes de avaliação dos campos visuais (perimetria);
• às reacções pupilares (com auxílio da lanterna, na busca de alterações como a pupila de Marcus Gunn);
• à oftalmoscopia (directa ou indirecta);
• à observação com luz difusa (para avaliar a transparência dos meios ópticos e a profundidade da câmara anterior);
• à tonometria (descrita adiante).

 Uma vez realizados estes exames, podemos então interpretar os seus resultados e daí partir para possíveis hipóteses de diagnóstico.

Seguem-se algumas das situações de perda súbita de visão.

1. Opacidade dos Meios Ópticos
- Edema da córnea, caracterizado pela irregularidade da reflexão da luz
- Hifema, com presença de sangue na câmara anterior
- Catarata, com opacidade do cristalino
- Hemorragia do vítreo

2. Doenças da Retina
- Descolamento da retina, sendo importante saber se o descolamento é suficientemente grave para provocar a introdução de líquido no espaço virtual existente entre o epitélio e a neuroretina;
- Doença  macular, podendo haver um “buraco” na superfície macular, hemorragia da área macular ou degenerescência macular
- Oclusão vascular da retina (neste caso é importante distinguir o tipo de oclusão, se é da artéria central, de um ramo da artéria ou da veia central)

3. Doenças do Nervo Óptico
- Nevrite Óptica, com diminuição da acuidade visual
- Nevrite Óptica retrobulbar, com dor no movimento ocular
- Edema da papila, que afecta os dois olhos
- Neuropatia óptica isquémica, com marcada alteração da acuidade
- Arterite de células gigantes
- Traumatismos, que podem provocar alterações desde o globo ocular até ao córtex óptico,  com manifestações na visão

4. Alterações da Via Óptica
- Hemianopsia
- Cegueira cortical

5. Perturbações Funcionais

6. Descoberta Súbita de uma Perda Visual Crónica

No caso de perda progressiva de visão, destacam-se as cataratas, a degenerescência macular, a retinopatia diabética e o glaucoma.
 De todas estas situações destaco o glaucoma (tema abordado na aula teórica), situação caracterizada por um aumento da pressão intraocular. A pressão intra-ocular pode ser medida de várias maneiras, sendo que se têm vindo a aperfeiçoar as técnicas de medição. À medição da pressão intra-ocular  dá-se o nome de tonometria.

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