Quando nos deparamos com um paciente que nos diz ter perdido a visão, há que saber procurar caracterizar essa perda de visão: saber se foi passageira ou persistente (central ou periférica), se atingiu os dois olhos ou apenas um (com inÃcio abrupto ou lento), há quanto tempo aconteceu, qual a idade do paciente e qual a sua situação clÃnica, tentando saber se o paciente tem doença cardiovascular ou se faz terapêutica anti-coagulante.
Os meios de que dispomos em Oftalmologia permitem-nos examinar o sistema ocular de modo a complementar a informação obtida na história clÃnica. Assim, podemos recorrer:
• aos testes de acuidade visual;
• aos testes de avaliação dos campos visuais (perimetria);
• à s reacções pupilares (com auxÃlio da lanterna, na busca de alterações como a pupila de Marcus Gunn);
• à oftalmoscopia (directa ou indirecta);
• à observação com luz difusa (para avaliar a transparência dos meios ópticos e a profundidade da câmara anterior);
• à tonometria (descrita adiante).
 Uma vez realizados estes exames, podemos então interpretar os seus resultados e daà partir para possÃveis hipóteses de diagnóstico.
Seguem-se algumas das situações de perda súbita de visão.
1. Opacidade dos Meios Ópticos
- Edema da córnea, caracterizado pela irregularidade da reflexão da luz
- Hifema, com presença de sangue na câmara anterior
-Â Catarata, com opacidade do cristalino
-Â Hemorragia do vÃtreo
2. Doenças da Retina
- Descolamento da retina, sendo importante saber se o descolamento é suficientemente grave para provocar a introdução de lÃquido no espaço virtual existente entre o epitélio e a neuroretina;
- Doença macular, podendo haver um “buraco” na superfÃcie macular, hemorragia da área macular ou degenerescência macular
- Oclusão vascular da retina (neste caso é importante distinguir o tipo de oclusão, se é da artéria central, de um ramo da artéria ou da veia central)
3. Doenças do Nervo Óptico
- Nevrite Óptica, com diminuição da acuidade visual
- Nevrite Óptica retrobulbar, com dor no movimento ocular
-Â Edema da papila, que afecta os dois olhos
- Neuropatia óptica isquémica, com marcada alteração da acuidade
- Arterite de células gigantes
- Traumatismos, que podem provocar alterações desde o globo ocular até ao córtex óptico, com manifestações na visão
4. Alterações da Via Óptica
-Â Hemianopsia
-Â Cegueira cortical
5. Perturbações Funcionais
6. Descoberta Súbita de uma Perda Visual Crónica
No caso de perda progressiva de visão, destacam-se as cataratas, a degenerescência macular, a retinopatia diabética e o glaucoma.
 De todas estas situações destaco o glaucoma (tema abordado na aula teórica), situação caracterizada por um aumento da pressão intraocular. A pressão intra-ocular pode ser medida de várias maneiras, sendo que se têm vindo a aperfeiçoar as técnicas de medição. À medição da pressão intra-ocular dá-se o nome de tonometria.