21st Jul, 2007

Diabetes: patogénese

DM tipo 1

A DM tipo 1 desenvolve-se pela acção sinérgica de factores genéticos, ambientais e imunológicos, que culminam na destruição das células β do pâncreas.
Indivíduos com uma susceptibilidade genética têm massa de células β normal nos primeiros anos de vida. No entanto, começam num, dado ponto, a perder células β em consequência dos fenómenos auto-imunes, o que ocorre durante meses ou anos.
À medida que as células β vão sendo destruídas, a produção de insulina vai ficando prejudicada e vai reduzindo progressivamente. Durante algum tempo, a produção de insulina mantém-se em níveis suficientes para suportar as quantidades normais de glicose ingerida. Este período varia de indivíduo para indivíduo.
A passagem deste período para diabetes estabelecida, está geralmente associada a descompensações provocadas pelo aumento das necessidades em insulina, como em infecções ou na puberdade.
A partir do momento em que há manifestações clínicas de diabetes, pode existir um período de “honeymoon”, em que o controlo da glicémia se consegue com baixas doses de insulina ou mesmo nenhumas (em casos raros). No entanto este período não se mantém permanentemente e, mais tarde ou mais cedo, o indivíduo torna-se deficiente em insulina, com a completa destruição das células β.

DM tipo 2

A DM tipo 2 é uma alteração de etiologia complexa, que se desenvolve em resposta a factores genéticos e ambientais.
Embora exista controvérsia, pensa-se que a resistência à insulina seja o factor primário. Dessa forma, os defeitos na secreção de insulina e o aumento de produção hepática de glicose surgiriam subsequentemente ao surgimento da resistência.

A resistência à insulina consiste na incapacidade da insulina de actuar sobre os tecidos-alvo. Trata-se de uma incapacidade relativa, uma vez que valores muito elevados de insulina exercem os efeitos adequados. Desconhece-se o mecanismo molecular responsável pela insensibilidade dos tecidos. Pensa-se que poderá estar relacionado com alterações ao nível dos mecanismos de transdução intracelular de sinal.
As consequências desta alteração vão-se fazer sentir nos tecidos que dependem da insulina para a utilização adequada da glicose, especialmente o músculo e o fígado. 

A obesidade, principalmente a central ou visceral, está frequentemente associada à DM tipo 2. Os adipócitos produzem uma série de substâncias (leptinas, ácidos gordos livres, TNF) que modulam processos como a secreção de insulina e a sua acção, podendo contribuir para a resistência à insulina.

Inicialmente, a resistência à insulina é compensada por um aumento de secreção de insulina. No entanto, passado algum tempo, as células β ficam “esgotadas” e tornam-se incapazes de suster o estado hiperinsulinémico. Segue-se um agravamento progressivo de todo o sistema de regulação da hiperglicémia, com a diminuição da secreção de insulina e um aumento na produção hepática de glicose, que podem culminar numa falência das células β.

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