Trata-se de uma infecção supurativa da cavidade média do ouvido, sendo mais comum em crianças entre os 6 meses e os 2 anos.
Existe um grupo de crianças de risco, que está mais facilmente atreito a este tipo de infecção:
• Crianças com infecção por VIH;
• Crianças com fenda do palato;
• Crianças com SÃndrome de Down.
É mais comum em crianças do sexo masculino, crianças de baixa condição socio-económica, lactentes a fazer aleitamento artificial e nos meses de Inverno.
Patogénese
As bactérias têm acesso à cavidade média do ouvido quando a trompa de Eustáquio não está totalmente funcionante, estando bloqueada por infecções locais, faringite ou hipetrofia dos adenóides.
O ar que fica “retido†na cavidade média do ouvido é reabsorvido, criando pressão negativa nesta cavidade, o que permite o refluxo de bactérias. Este refluxo bacteriano e a obstrução das secreções do ouvido médio para a faringe conduz a um derrame do ouvido médio que é infectado por bactérias da nasofaringe.
Os agentes patogénicos mais comuns são os pneumococos, o Haemophilus influenzae, a Moraxella catarrhalis e, menos frequentemente os estreptococos do grupo A.
É importante referir que estes microrganismos são cada vez mais resistentes à antibioterapia clássica (penicilina), principalmente em crianças que frequentam creches ou infantários e naquelas que fizeram antibioterapia recentemente. Associados à s bactérias podem estar os vÃrus, que aparecem neste contexto como agentes copatogénicos. O vÃrus sincicial respiratório, o rhinovirus e o citomegalovirus são alguns desses agentes.
Manifestações clÃnicas
• Febre
• Irritabilidade
• Dor de carácter intermitente (a criança está bem e de repente grita queixando-se de dor. Frequentemente acordam durante a noite com dores)
• Vómitos
• Diarreia
• Depressão da fontanela
• Tonturas
• Acúfenos (“apitos†nos ouvidos)
• Otorreia (é comum as crianças aparecerem com um lÃquido amarelo-esverdeado que escorre do ouvido, principalmente quando ocorre perfuração timpânica).
De salientar que na maior parte das vezes à perfuração segue-se um alÃvio da dor.
Na otosocopia podem verificar-se alterações distintas:
• Presença de um cone de luz que vai do centro da membrana timpânica para a sua margem antero-inferior, que traduz geralmente um processo de otite média serosa;
• Hiperémia da membrana do tÃmpano com perda da identificação dos elementos da cadeia ossicular do ouvido (principalmente do martelo);
• Abaulamento da membrana timpânica
• Perfuração timpânica
ATENÇÃO: Por vezes o gesto de limpar os ouvidos das crianças com cotonetes pode provocar perfuração da membrana timpânica e desencadear uma hemorragia.
A otite média pode associar-se a uma conjuntivite ipsilateral. Quando estamos perante este quadro clÃnico a etiologia mais provável é o Haemophilus influenzae.
Tratamento
O uso de vacinas conjugadas para o Streptococcus pneumoniae associa-se apenas a um baixo decréscimo na incidência de otite média.
Os antibióticos orais frequentemente usados para tratar a otite média são: amoxicilina, amoxicilina + ácido clavulânico, trimetropim + sulfametoxazole, eritromicina.
As cefalosporinas orais (cefaclor, cefuroxime, cefixime, cefpodoxime, cefprozil, cefdinir e loracarbef) estão também aprovadas para o tratamento da otite média causada por organismos produtores de beta-lactamases, devendo preconizar-se doses diárias ou bidiárias.
Pode ser necessária a timpanocentese naqueles doentes que são difÃceis de tratar ou naqueles que não respondem à terapêutica.
Os descongestionantes e os anti-histamÃnicos não são eficazes quando utilizados isoladamente nem quando associados à antibioterapia.
No caso de haver febre e se a dor for muito intensa, pode e deve associar-se a analgesia e a antipirexia à antibioterapia, recorrendo a analgésicos e antipiréticos.
Complicações
• Perda de audição;
• Derrame auricular crónico;
• Formação de coleastoma;
• Petrosite (alterações a nÃvel do rochedo);
• Extensão intracraniana
o Abcesso cerebral;
o Empiema sub-dural;
o Trombose venosa.
• Mastoidite