Um homem de 39 anos dirige-se ao seu médico assistente com uma história de dor e rigidez no tornozelo direito, com 6 meses de evolução. A dor é de carácter insidioso e acompanhada por edema e rigidez da articulação tibio-társica.
Este doente apresenta incapacidade funcional na realização de movimentos da articulação. Apesar de recorrer a um auxiliar de marcha, tem incapacidade para realização das suas actividades diárias.
Não há qualquer história de traumatismo da articulação afectada. Não há história de febre, dor na coluna ou qualquer envolvimento de outras articulações. Não há história de doenças sexualmente transmissÃveis e a história familiar é negativa para artrite.
Ao exame objectivo:
- sinais vitais sem alterações;
- auscultação cardÃaca sem alterações;
- ausência de rash ou exsudado peniano;
- mobilização do tornozelo desencadeia desconforto na realização de movimentos passivos, revelando limitações na inversão e eversão e ainda na flexão e extensão;
- À palpação apresenta sensação dolorosa ligeira;
- Verifica-se edema duro do tornozelo;
- Ausência de eritema ou aumento da temperatura local;
- Restante exame objectivo sem alterações.
SA osteocondromatose sinovial,também designada condromatose sinovial, é uma proliferação monoarticular benigna da sinovial das articulações, bolsas ou tendões, com metaplasia cartilagÃnea. A proliferação do lÃquido sinovial produz pequenos nódulos que se desintegram e migram para a cavidade articular. Na cavidade articular, a metaplasia transforma os nódulos em corpos cartilagÃnosos que cerscem e sofrem necrose central. A porção necrótica calcifica-se e, eventualmente, ossifica em vários graus. Grandes articulações, tais como joelho, anca, cotovelo e ombro são as mais afectadas; no entanto, como este caso ilustra, a doença pode envolver também outras articulações. Na realidade, qualquer superfÃcie sinovial, incluindo as bolsas extra-articulares, pode ser afectada.
À medida que a doença progride,a articulação torna-se dolorosamente distendida, com vários corpos cartilaginosos, que podem rondar as centenas e podem resultar em sintomas mecânicos, tais como restrição de movimentos com eventual destruição da articulação e osteoartrite secundária.
TA incidência desta doença é 2-4 vezes superior no homem do que na mulher, com uma faixa etária média entre os 20-50 anos Geralmente resulta em vários anos de dor e edema da articulação. Na altura da apresentação ao médico, a articulação já apresenta limitação dos movimentos. O doente pode ainda referir uma história de articulação “presa”. A transformação maligna para condrosarcoma ocorre geralmente após sinovectomias parciais de repetição, mas é geralmente referido.
As radiografias são geralmente diagnósticas; podem demonstrar a presença de corpos intra-articulares ossificados, podendo ainda existir sinais de osteoartrite. Na ausência de corpos ossificados, pode verificar-se edema dos tecidos moles.![]()
A TC mostra as mesmas alterações que a radiografia, mas pode revelar corpos intra-articulares não ossificados. A RMN é a opção de escolha para demonstra derrames, alterações sinoviais e corpos intra-articulares.
O tratamento desta patologia assenta na sinovectomia, podendo no entanto haver recorrência, a menos que a sinovectomia seja total.