19th Sep, 2007

Olho vermelho

O Sr. José, de 61 anos, dirigiu-se à Urgência  porque sentia “ardor” nos olhos, fotofobia, produção de lágrimas viscosas e visão turva. Há alguns meses tem notado a “vista vermelha”.
Após ter fornecido dados sobre a sua história clínica chegou-se à conclusão que padecia de patologia glaucomatosa, medicado com Alphagan® (hipotensor ocular –tartarato de brimoridina).
À anamnese seguiu-se a observação ao biomicroscópio (com a lente de azul de cobalto), posterior à administração de um anestésico tópico e fluoresceína. A utilidade desta coloração, neste caso, foi “dupla”: procura de lesões oculares (que coram com o corante) e avaliação da qualidade do filme lacrimal, através da medição do But (Break-up time). Este índice, que é normal quando os seus valores são próximos de 8 segundos, permite avaliar a “disposição” do filme lacrimal e a permanência da coloração homogénea do globo ocular dada pela fluoresceína. O valor é obtido entre uma primeira visualização, com os olhos abertos fixamente (um avaliado de cada vez) , após um “tempo de latência” em que o doente fecha os olhos, e o início do “rompimento” do filme lacrimal.
Seguiu-se a medição da pressão intra-ocular.

Deste caso, destaca-se não só a importância de uma correcta avaliação clínica do doente, mas também a relevância que tem o passado patológico e sintomatológico do mesmo. A história familiar é também um ponto importante a explorar.

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