3rd Oct, 2007

O adolescente e a relação com o próprio corpo

A difícil mudança

A relação de um adolescente com o próprio corpo é especialmente complexa dado que neste período da vida surgem muitas mudanças: o aspecto, a psique, as exigências.

No início da idade adulta, a relação entre o corpo e a mente é submetida a uma rápida evolução e o corpo, com as mudanças que ocorrem, torna-se objecto de ansiedades desconhecidas na infância.

Durante a puberdade, o adolescente tem que gerir uma transformação rápida, que implica novas percepções, por vezes fonte de perturbação, sendo esta transformação a imagem que tem de si, que é reflexa no comportamento que os outros têm com ele. Logo que consegue alcançar um equilíbrio, a situação muda e é necessária uma nova adaptação. É a idade da falta de graça, onde cada gesto traduz a diferença entre a imagem mental do próprio corpo e o corpo real.

 As primeiras mudanças

“O que é que me está a acontecer?” pergunta-se a criança quando se torna consciente das primeiras mudanças da puberdade. Por mais que tenha conhecimento do que se está a passar com ela através de leituras, informação veiculada pelos pais e pelos amigos mais velhos, o adolescente fica perturbado pela percepção da própria puberdade. O abstracto torna-se concreto e o pudor e o medo da mudança inquietam-no. O adolescente fecha-se na casa-de-banho ou no balneário quando o seu corpo tem que ficar exposto durante os actos de higiene. As comparações com os companheiros servem para tranquilizá-lo sobre uma questão para ele capital: “sou normal?”. Falar de si, partilhar as próprias experiências e comparar a própria evolução com a dos amigos da mesma idade são momentos fundamentais.

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