É através do sistema de veias descrito que o sangue venoso regressa das extremidades ao coração. Na posição erecta, este regresso tem de fazer-se contra a força da gravidade, força essa que representa a pressão hidrostática de uma coluna de líquido entre o coração e as extremidades e cujo valor, medido numa veia dorsal do pé, é de 100 mm Hg. Este movimento de retorno venoso é, assim, um movimento activo e os factores que contribuem para a sua progressão normal são os factores de retorno venoso.
Os dois principais factores de retorno venoso são:
1. a força de contracção dos músculos da perna nas suas locas aponevróticas;
2. as válvulas venosas.
Com a contracção muscular, o sangue venoso é “espremido” no interior das veias, facilmente colapsáveis devido à sua pobreza muscular, aumentando assim a pressão intravenosa. Esta acção compressiva é ajudada pelo facto de os músculos estarem envolvidos por aponevroses, o que permite uma optimização da compressão no seu lado interno. É por isto que este conjunto se chama bomba músculo-aponevrótica, a qual funciona como verdadeiro coração periférico. No entanto, toda esta acção compressiva seria ineficaz se não existissem as válvulas venosas. Sem elas, o sangue venoso seria espremido nos dois sentidos, superior e inferior, bem como no sentido da superfície, através das veias perfurantes. São as válvulas que, pela sua disposição, vão orientar a circulação de retorno venoso no sentido funcional, ou seja, apenas no sentido do coração e do sistema profundo.
Com o relaxamento muscular, o sangue venoso, na posição de pé, teria tendência natural a refluir, dado verificar-se agora uma diminuição de pressão no seu interior. Mais uma vez, tal não acontece, por acção das válvulas venosas. Durante o relaxamento muscular, as válvulas do sistema venoso profundo e superficial vão fechar-se, impedindo o refluxo venoso, e as válvulas das veias comunicantes, que se tinham fechado na contracção muscular, para impedirem a circulação de sangue venoso para o sistema superficial, vão abrir-se e permitir, pelo jogo de pressões, aspiração do sangue do sistema superficial para o profundo.
A bomba músculo-aponevrótica e o sistema valvular garantem o retorno venoso.
Durante a fase de contracção muscular, na marcha, a expulsão activa do sangue venoso das extremidades para o coração provoca uma descida da pressão ortostática dos 100 mm Hg para valores de 20-30 mm Hg.
Com o repouso, a pressão hidrostática vai subir de novo para o seu valor inicial. Esta subida é feita de maneira lenta, pois o repreenchimento das veias faz-se através dos capilares arteriais.
Na insuficiência venosa superficial (IVS), a descida dos valores da pressão venosa com os movimentos é menor do que em condições normais, pela maior dificuldade de expulsão do sangue. Fundamentalmente, o que vai acontecer é o regresso rápido às pressões iniciais de repouso, porque o sangue vai cair por refluxo directo, devido à insuficiência valvular.
Na insuficiência venosa profunda (IVP), não há descida de pressão com os movimentos porque, devido a refluxo valvular profundo ou a obstrução das veias profundas, as contracções musculares não conseguem expelir eficazmente o sangue venoso dos membros inferiores. Deste facto resulta uma hipertensão venosa.
Factores adjuvantes no retorno venoso:
1. força de aspiração cardíaca durante a diástole da aurícula direita;
2. força de aspiração respiratória durante a inspiração;
3. força de inércia que ainda possui o sangue arterial ao entrar nos capilares venosos e vénulas, conhecida como vis a tergo, e que traduz o gradiente de pressão restante da força de contracção do ventrículo esquerdo;
4. força de compressão da sístole arterial sobre as veias circundantes