23rd Aug, 2007

Clínica das Varizes dos Membros Inferiores

O Diagnóstico é feito por simples observação, mas deve ir além da simples constatação da existência de varizes, devendo estabelecer-se uma classificação etiológica, anatómica e fisiopatológica.

Na História Clínica é importante tentar saber o motivo da visita médica.
O principal sintoma das varizes é a dor localizada aos membros inferiores, de carácter difuso, em regra descrita como uma sensação de peso que se vai instalando e agravando ao longo do dia. O doente com sintomas de insuficiência venosa está bem ao levantar. Por vezes, essa sensação de peso surge após períodos prolongados na posição de pé. O repouso e a elevação dos membros inferiores, bem como o uso de meias elásticas, são factores de alívio. Para além da dor e das pernas pesadas, os doentes podem ainda referir cãimbras, parestesias ou uma sensação de “pernas irrequietas” (restless legs).

 A história clínica deve ainda estabelecer:
• o início e as condições de aparecimento das varizes;
• a sua relação com a gravidez;
• a evolução, tratamentos efectuados e o seu resultado;
• a existência de antecedentes familiares;
• a existência de factores adjuvantes que favorecem o seu aparecimento, como a profissão do doente;
• eventuais tromboses venosas prévias;
• insuficiência arterial;
• estado geral do doente.

Terminada a história, segue-se o Exame Clínico:

Inspecção

Doente na posição de pé, desnudado da cintura para baixo, de modo a permitir a observação do abdómen inferior, das regiões inguinais e dos membros inferiores. Pesquisa de rede venosa anómala. Observação da safena externa, com inspecção da face posterior dos membros.
- Pesquisa de sinais premonitórios de doença venosa: fina rede de veias perimaleolares, coroa flebo-ectásica ou ankle-flare.
- Sinais de insuficiência venosa crónica:
- Pigmentação acastanhada (depósito de hemosiderina resultante da destruição dos eritrócitos extravasados para o tecido celular sub-cutâneo)
- Lipodermatoesclerose do tecido celular sub-cutâneo (reacção inflamatória devido a hipertensão venosa); pele seca, brilhante e sem elasticidade
- Úlceras venosas
- Edema maleolar

Palpação

Palpar os trajectos varicosos, verificando se essa palpação desencadeia dor ou se se palpa zonas endurecidas.

Auscultação

Poderá revelar sopros nos casos de fístulas arterio-venosas.

Percussão

Não dá grande auxílio.

Em termos de Exames Complementares, temos à nossa disposição exames invasivos e exames não invasivos.

Exames Invasivos

A flebografia, a varicografia e o estudo intravenoso de pressões ambulatórias eram os métodos usados até aparecerem os métodos não invasivos. Actualmente usa-se, de entre estes, com mais frequência, a flebografia. Trata-se de um exame semelhante à arteriografia e consiste na injecção de uma substância de contraste no SVP com o doente em pé. O contraste ascende pela circulação profunda e, quando chega à virilha, pede-se ao doente para tossir (manobra de Valsalva). Se o SVS for avalvular, ocorrerá reflexo de sangue com contraste, permitindo a visualização da safena.
As varizes podem ser originadas por incompetência da válvula da safena interna, da safena externa ou das comunicantes e tudo isso é demonstrável pela flebografia.

Exames Não Invasivos

O exame Doppler, o exame eco-Doppler, o exame eco-Doppler com cor e os exames de pletismografia são os principais.

Existem ainda as designadas Provas Funcionais. Normalmente é fácil identificar clinicamente o território da variz pela topografia. Contudo, por vezes, o sangue é compelido por colaterais, o que dificulta a identificação desse mesmo território. Existem diversos testes utilizados para o efeito:
• Teste de Perthes (Prova de Delbert), permite estudar a permeabilidade e suficiência valvular profundas. Inicialmente com o doente em pé e as veias engurgitadas, coloca-se um garrote a meio da coxa. Pede-se ao doente para andar durante um minuto.
 
Se o Sistema Venoso Profundo estiver permeável e as veias comunicantes competentes, as varizes desaparecem. Se as veias continuarem distendidas durante a marcha, significa que o Sistema Venoso Profundo se encontra obstruído ou as suas válvulas são incompetentes, constituindo o Sistema Venoso Superficial a principal via de drenagem venosa do membro inferior. Este aspecto tem implicações terapêuticas, uma vez que a correcção do sistema superficial não corrige o problema. Quando se retira o garrote, as varizes reaparecem.  

• Teste de Brodie-Trendlenburg, permite determinar a origem do refluxo. Com o doente deitado, eleva-se a perna de modo a esvaziar o sistema venoso. Coloca-se um garrote na raíz da coxa (para testar a safena interna) ou na fossa popliteia (para testar a safena externa). Pede-se ao doente para se pôr de pé. Como o garrote controla o refluxo valvular, as veias encontram-se completamente vazias e enchem-se de baixo para cima, à medida que o sangue passa do sistema arterial para o venoso. Quando se retira o garrote, se existir refluxo, as veias enchem de cima para baixo e tornam a ficar dilatadas.
 

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