21st Jul, 2007

Diabetes: clínica

Quadro clínico típico da DM tipo 1:

  • Acentuada perda de peso
  • Falta de apetite
  • Falta de forças
  • Grande fatigabilidade
  • Polidipsia = necessidade de beber muita água
  • Poliúria = urinar em grande quantidade
  • Polaquiúria = necessidade de urinar frequentemente

 Quadro clínico típico da DM tipo 2:

  • Idade igual ou superior a 40 anos
  • Obesidade
  • Polifagia = muita vontade de comer
  • Polidipsia
  • Poliúria
  • Fatigabilidade
  • Visão turva
  • Glicémias bastante elevadas
  • Glicosúria sem cetonúria

Quadro clínico da cetoacidose diabética
= combinação da deficiência de insulina com um aumento das hormonas contra-regulatórias circulantes

A cetoacidose diabética pode ser precipitada por:
• Administração deficiente de insulina
• Infecções (devem pesquisar-se sinais de infecção como febre e outros)
• Enfartes (acidentes trombo-embólicos)

As alterações metabólicas referidas mais acima ficam exacerbadas.

Assim:
• Aumenta-se a produção hepática de glicose (gliconeogénese e glicogenólise) e reduz-se a sua utilização periférica, levando a uma hiperglicémia intensa.
• Ocorre proteólise muscular, aumentando os aminoácidos circulantes, que vão ser captados e degradados no fígado
• Ocorre lipólise intensa no tecido adiposo, com consequente aumento dos ácidos gordos em circulação.

Os ácidos gordos em circulação vão ser captados pelo fígado. Em condições normais, o fígado produziria VLDL’s a partir deles mas, a hipoinsulinémia e a hiperglicaginémia estimulam a sua beta-oxidação. Assim, produzem-se muitas VLDL (hiperlipoproteinémia e hipertrigliceridémia), mas grande parte dos ácidos gordos vai ser oxidada a acetil-CoA.

O excesso de acetil-CoA e a conjuntura hormonal, vão promover desta forma a formação de corpos cetónicos (acetoacetato e β-hidroxibutirato). Estes vão entrar em circulação e provocar o que se designa por cetose ou hipercetonémia. Os corpos cetónicos, no pH alcalino do sangue, existem sobre a forma de cetoácidos. São tamponados pelo sistema do bicarbonato mas, quando estão em grandes quantidades, suplantam este sistema protector e provocam acidose. Essa acidose, por ser provocada por cetoácidos, designa-se cetoacidose.

A cetoacidose é uma acidose metabólica (diminuição do pH com diminuição do HCO3-) com aumento do anion gap, pelo excesso de cetoácidos.

  • Poliúria, polidipsia, polifagia = 3 P’s
  • Hiperglicémia intensa
  • Proteólise muscular, com aumento dos aa’s circulantes
  • Hiperlipoproteinémia
  • Hipertrigliceridémia
  • Cetose/hipercetonémia
  • Cetoacidose
  • Glicosúria
  • Cetonúria

 como consequência de náuseas e  vómitos:

  • Diminuição do volume intravascular
  • Hiperosmolaridade
  • Hipercaliémia e deplecção de electrólitos                                     

por perda de líquidos:

  • Desidratação 
  • Hipotensão
  • Taquicárdia compensatória
  • Respiração de Kussmaul = por estimulação do centro respiratório

 como consequência da hiperosmolaridade no SNC:

  • Letargia
  • Estupor 
  • Coma

 Quadro clínico do coma hiperosmolar não cetótico
= relativa deficiência em insulina, com diminuição das hormonas contrarregulatórias em circulação

A fisiopatologia do coma hiperosmolar não cetótico é muito semelhante à da cetoacidose diabética. No entanto, como não há uma deficiência absoluta de insulina, não atinge um estado tão avançado.

Os factores desencadeantes são semelhantes aos da ceoacidose diabética.

A par da relativa deficiência em insulina, há menor quantidade de hormonas contrarregulatórias da insulina em circulação. Isto é uma das explicações possíveis para a menor quantidade de ácidos gordos em circulação e para a ausência de produção de cetoácidos que distinguem o coma hiperosmolar não cetótico da cetoacidose diabética.

  • Hiperglicémia, mais elevada do que na cetoacidose diabética
  • Hiperlipoproteinémia, menos intensa
  • Hipertrigliceridémia, menos intensa
  • Cetose/hipercetonémia
  • Cetoacidose
  • Cetonúria
  • Ligeira acidose, por produção de lactato
  • Glicosúria
  • Poliúria
  • Alteração do estado mental
  • Letargia
  • Convulsões
  • Coma
  • Desidratação
  • Hipotensão
  • Taquicárdia

Também ocorre, tal como na cetoacidose, diminuição do volume intravascular com depleção de electrólitos, o que leva à hiperosmolaridade.
 

Comments are closed.

Categories