21st Aug, 2007

Anatomia Funcional dos Membros Inferiores

As veias, como as artérias, são constituídas por 3 camadas:

- camada interna (endotélio venoso);
- camada média ou muscular;
- camada externa ou adventícia.

A camada muscular das veias é muito menos desenvolvida do que a muscular arterial. No entanto, a grande diferença entre a estrutura das veias e a das artérias reside no facto de as veias terem um sistema de válvulas, as válvulas venosas. São válvulas bivalves, ou seja, com 2 folhetos que se encontram inseridos na parede venosa e com os bordos livres dirigidos no sentido proximal, nas veias profundas e superficiais, e no sentido da profundidade, nas veias perfurantes. São elementos fundamentais no retorno venoso.

Sistema venoso dos membros inferiores 

As veias dos membros inferiores agrupam-se em 3 sistemas:

  • Sistema venoso superficial
  • Sistema venoso profundo
  • Sistema das veias comunicantes ou perfurantes

O sistema venoso superficial (SNS) situa-se entre o plano cutâneo e o plano aponevrótico e é constituído por duas grandes veias: a veia safena interna (ou safena major) e a veia safena externa (ou safena minor).
A veia safena interna resulta da confluência das veias superficiais internas do pé e ascende pela face antero-interna da perna, passando à frente do maléolo interno. A nível da perna, a safena interna recebe duas importantes colaterais, a veia do arco posterior e a veia do arco anterior. Vai depois tornar-se ligeiramente posterior, passando pelo lado interno do joelho, por trás do côndilo interno e, ascendendo pela face antero-interna da coxa, perfura a aponevrose na região inguinal, ao nível do foramen oval, para se lançar na veia femoral comum. A este nível, a safena interna descreve uma curva de concavidade inferior, constituindo a crossa da safena interna. Recebe a nível da crossa 4 a 5 colaterais: a circunflexa ilíaca superficial, a epigástrica superficial interna, as pudendas externas superficial e profunda e, a nível mais inferior, as colaterais antero-externa e postero-interna da coxa.
Resumindo, a veia safena interna drena 80% do sangue venoso superficial e estende-se desde o maléolo interno à virilha.
A veia safena externa resulta da junção das veias superficiais do lado externo do pé. Passa atrás do maléolo externo, entre este e o tendão de Aquiles. Tornando-se posterior, vai ascender ao longo da face medio-posterior da perna, perfurando a aponevrose a nível variável, em regra nos terços médio ou superior. O seu trajecto superior é, assim, um trajecto já sub-aponevrótico. A veia safena externa vai lançar-se, em regra, na veia popliteia, descrevendo igualmente uma curva: a crossa da safena externa. No entanto, este lançamento, ao contrário do da safena interna, que é constante, é de localização muito variável, podendo lançar-se na veia femoral superficial, ou mesmo noutras veias. Estas variantes anatómicas são de grande interesse para a cirurgia das varizes da veia safena externa. A nível do escavado popliteu, a veia safena externa recebe, em regra, 2 colaterais importantes: a veia de Giacomini, que estabelece ligação com a veia safena interna ou com uma sua colateral, e outra mais inconstante, que estabelece  ligação com a veia femoral profunda.
A veia safena externa drena 15% do sangue venoso superficial e estende-se desde o maléolo externo até à fossa popliteia.

O sistema venoso profundo (SVP) localiza-se entre os músculos por baixo da aponevrose e é o sistema essencial dos membros inferiores, sendo responsável por 80-90% do sangue venoso dos membros inferiores. É constituído por veias que acompanham as artérias do mesmo nome.
A nível da perna, as veias são em número de 2 por cada artéria e com inúmeras anastomoses.
A nível da coxa, as veias profundas também acompanham as artérias do mesmo nome, mas agora apenas uma veia por cada artéria.
Temos assim, a nível da perna, 2 veias tibiais anteriores e posteriores e 2 veias peroneais. Estas veias da perna vão confluir na veia popliteia que se continua pela coxa como veia femoral superficial, a qual, ao nível do terço superior, recebe a veia femoral profunda, originando a veia femoral comum. Esta atravessa o canal inguinal, continuando pela veia ilíaca externa que, confluindo com a ilíaca interna, forma a veia ilíaca comum. Da confluência das veias ilíacas comuns direita e esquerda, resulta a veia cava inferior, que termina na aurícula direita, drenando assim o sangue da parte inferior do corpo. O seu trajecto é paralelo à aorta abdominal, pelo lado direito.
As veias ilíaca interna e femoral profunda constituem 2 importantes veias colaterais quando existe oclusão das veias ilíacas externas e/ou femorais superficiais.

O sistema de veias comunicantes ou perfurantes, como o próprio nome indica, perfura a aponevrose para estabelecer comunicação entre as veias superficiais e as veias profundas. São em número e localização inconstantes. Existem, no entanto, perfurantes relativamente constantes.

O sistema de válvulas venosas é o elemento fundamental da anatomia funcional do sistema venoso dos membros inferiores. São válvulas com 2 valvas, inseridas na parede venosa e dispostas de modo a apenas permitirem fluxo venoso num sentido: das extremidades para o coração e das veias superficiais para as veias profundas. São válvulas unidireccionais.
As veias cava inferior e ilíacas comuns são desprovidas de válvulas. As veias femorais comuns apresentam, geralmente, uma válvula acima da zona de confluência das safenas internas. O número de válvulas aumenta a partir daqui, tornando-se numerosas ao nível das veias da perna. Existem cerca de 40 válvulas no sector das veias da perna contra apenas 4 a 6 nas veias femoro-popliteias. Também existem válvulas nas veias superficiais, sendo constantes as válvulas das crossas das safenas. Esta riqueza valvular infra-popliteia, comparada com o número reduzido acima do joelho, parece sugerir uma adaptação à posição erecta, protegendo a metade inferior dos membros de uma maior pressão hidrostática a esse nível.
As perfurantes apresentam igualmente uma a três válvulas dispostas de modo a apenas permitirem fluxo do sistema superficial para o profundo.
No SVP a velocidade sanguínea é maior devido aos músculos que rodeiam as veias, conferindo assim maior consistência à parede dos vasos, que se traduz num aumento de pressão. Deste modo, as pessoas que têm músculo fraco ou melhor, coração periférico fraco, apresentam maior estase sanguínea, que condiciona uma compressão da parede interna das veias e origina cansaço.

No Verão, devido ao calor, as veias dilatam, o que promove a estase sanguínea e consequente mau estar. As mulheres são mais afectadas do que os homens porque fazem a depilação. Os pêlos reflectem o calor, contrariando assim a estase sanguínea. Por outro lado, uso de calças também diminui a dilatação venosa.
Sem marcha não há contracção muscular. Praticar exercício físico, levantar as pernas, fazer massagens, usar meia elástica, são pois métodos eficazes no combate desse mau estar.

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